sábado, 4 de janeiro de 2014

"Selfies e subjetividade", por Paloma Barros

Selfie foi escolhida a palavra do ano de 2013, por editores do dicionário Oxford e é definida como "uma fotografia que a pessoa tira dela mesma, tipicamente com um smartphone ou webcam, carregada em um site de mídia social". Um termo que virou moda nos últimos dois anos, e tem sua origem na Austrália em meados de 2002 quando um homem que ao postar sua foto para mostrar ferimentos em um fórum, após ter tropeçado de um degrau; justificou a falta de foco por se tratar de uma selfie.

Segundo Boris Kossoy, a fotografia do século XX cumpriu papel revolucionário de disseminação maciça de imagens do mundo, o que acarretou em um “vício”, do qual não poderíamos prescindir.  A história da fotografia está cheia de rostos, inclusive o mistério do rosto de Cristo em seu sudário, e outros que tomaram dimensões globais, como Lenin, Khomeini ou Mao-Tsé-Tung. O impacto da comunicação de um rosto tem sido explorado para vários fins, sobretudo no campo publicitário.

De todos os motivos que se coloca diante de uma câmera, o rosto se perpetua como o mais intrigante e mais fotografado. O foco no indivíduo entusiasma compartilharmos toda nossa trajetória diária em redes sociais, o que transcende uma relação narcisista somente, pois são necessários likes para se efetivar, ou seja, aceitação social. Através dessa aceitação o auto-retratista monta uma imagem de projeção para o mundo, que tem como espelho a vida das celebridades que se expõem nas mídias sociais.


A efetivação das selfies também passou pelas mãos das celebridades que não só compartilham seu cotidiano para aceitação, mas sobretudo para autopromoção. O que estimula a reprodução de fotos de rostos solitários com expressões similares e em ângulos repetitivos. A proliferação de mais do mesmo demanda aperfeiçoamento, o que levou a cantora pop Kim Kardashian possuir um tutorial da selfie perfeita.

De qualquer forma as selfies não necessitam ser exclusivamente taxadas como algo vazio, o registro é algo intrínseco ao humano, desde os homens das cavernas e seus desenhos nas paredes. É necessário bom senso, menores doses de auto exposição e mais personalidade nas mídias sociais. 

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