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domingo, 10 de agosto de 2014

"Cantando na Chuva", por Thaynam Lázaro



            Em geral os estudos de gêneros cinematográficos são pontuados por filmes que de alguma forma contribuíram para a criação, ou modificação, de um determinado formato fílmico, seja por alguma pitada de originalidade que o destacou dos demais, ou por algo o fez ser único de alguma forma. Cantando na Chuva, musical lançado em 1952, protagonizado por Geny Kelly, Donald O’Connor e Debbie Reynolds, é um desses filmes canônicos da historia do cinema, considerado por muitos o melhor musical que Hollywood já produziu, o filme reúne astros consagrados e cria cenas para nos encantar com seus grandes talentos.
            Se o filme é o melhor de seu gênero ou não, isso é algo inteiramente subjetivo, afinal Hollywood também produziu inúmeros outros musicais que marcaram e redefiniram o gênero. Porém, é inegável que na memoria coletiva o filme dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly seja um dos mais lembrados quando o assunto é musical. Ao contrario das outras produções feitas na época, o roteiro de Cantando na Chuva foi criado para compilar músicas que já haviam sido compostas anteriormente, a única canção feita especialmente para o filme é a Moses Suposes, performada com maestria por Kelly e O’Connor. Após a seleção das canções (algumas já consagradas e utilizadas em outros filmes, como a própria canção-titulo), os roteiristas escolheram situa-lo numa época bastante peculiar na historia do cinema: a transição do cinema mudo para o cinema falado. E é aí onde Cantando na Chuva começa a se destacar dos demais, o filme é uma grande homenagem ao cinema e ao passado do gênero musical, a trama mostra este momento de forma leve, brincalhona, satiriza os astros do cinema e seus artifícios, nos mostra o que Hollywood faz de melhor: criar verdadeiros sonhos do entretenimento.
            A trama gira em torno de Don Lockwood (Gene Kelly), astro do cinema que durante a era de ouro dos filmes mudos em Hollywood faz par romântico com a atriz Lina Lamont (Jean Hegen) em todos os filmes que protagoniza, eles também fingem ser um casal da vida real, porém a relação deles é puro artificio, uma das grandes mentiras que o cinema utiliza para envolver as plateias.  É quando Don conhece Kathy Selden, garota que diz não se encantar mais ao ver seus filmes, por que para ela quem já viu um, já viu todos, que o astro tem o primeiro encontro com aquilo que é novo: uma garota que não se encanta com seus velhos truques e acima de tudo, uma garota que tem voz própria, que não o vê simplesmente como um rosto expressivo, mas que o trata como igual. E como o novo parece ser apaixonante!
A personagem Lina Lamont aqui funciona como um exemplo de como o cinema da época operava, era engessado em sua forma, dependente das expressões fundamentais dos atores, mas quando visto aos olhos contemporâneos podia se tornar algo comicamente trágico e até meio burro em seu discurso. Já Kathy Selden é um anúncio do que está por vir, algo excitante, desafiador, multifacetado, talentoso em todas as formas e, acima de tudo, mais mágico como nunca. E é esta energia alegre, feliz e excitante que faz de Cantando na Chuva um filme único, que nos mostra que não importa o que venha a acontecer, o show deve sempre continuar.  

Don Lockwood se apaixona rapidamente por Kathy e é ela que o convence a entrar de vez no ramo dos filmes falados, e a se expressar de forma completa, utilizando todos os seus talentos como artista. E que talento! Gene Kelly e seus companheiros de filme nos entregam performances apaixonantes e únicas. Cenas que são lembradas até hoje como os pontos máximos da era de ouro dos musicais de Hollywood, quando sonhos e realidade se fundiam para nos encantar e nos encher de alegria e esperança.