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domingo, 10 de agosto de 2014

"A Noviça Rebelde", por Edson Venicio Mendonça da Silva



  “As Colinas estão vivas com o som da música” estre trecho da canção homônima do filme The Sound Of Music, no Brasil, A Noviça Rebelde, que é apresentada já no inicio do longa dirigido por Robert Wise (West Side Story, 1961) já apresenta o quão alegre e sublime será a produção estrelada pela encantadora Julie Andrews e Christopher Plummer.
  O longa conta a história de Maria, uma noviça que, considerada dispersa e não conseguindo seguir as regras do serviço religioso, foi encaminhada para trabalhar como governanta do Capitão Georg Von Trap e cuidar dos seus sete filhos, que tinham perdido a mãe recentemente e desde então são educadas pelo pai com forte rigor militar. Ela trás a música para a vida das crianças, que não tinham mais o carinho do pai, transformando o clima rígido e melancólico do lugar num lugar alegre e feliz. Maria acaba de apaixonando pelo Capitão, que estava comprometido com Elsa, uma baronesa de Viena.
  As belas locações contribuem para a incrível fotografia repleta de imagens campestres, montanhas e os arredores da mansão do capitão. As lindas canções interpretadas por Julie e compostas por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein também contribuíram para que o filme se tornasse um clássico a ultrapassar gerações e continuar encantando milhões de telespectadores.
  A Noviça Rebelde tem em sua bagagem um Oscar de melhor filme, diretor, montagem, som e trilha sonora em 1966, além do Globo de Ouro de melhor atriz, Prêmio Eddie de melhor montagem, indicado ao BAFTA como melhor atriz britânica (Julie Andrews) e eleito por várias revistas especializadas não apenas como um dos melhores musicais, mas como um dos melhores filmes já produzidos.
  As canções e a bela história do filme mostram, por fim, a importância da família, da educação e, principalmente, da união. É nas colinas onde tudo começa e termina: “Eu vou para as colinas quando meu coração estiver solitário. Eu sei que vou ouvir o que eu ouvi antes. Meu coração será abençoado com o som da música e eu vou cantar mais uma vez.”






Referências

·         http://www.adorocinema.com/filmes/filme-238/ - Acessado em 17 de maio de 2014.
·         http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Sound_of_Music - Acessado em 17 de maio de 2014.

·         http://letras.mus.br/sound-of-music/1029115/ - Acessado em 17 de maio de 2014.

"O Picolino, o diálogo que se dá na dança", por Aline Soares e Silva


O Picolino (Top Hat, 1935) pode ser enquadrado como uma das melhores imersões que se pode fazer, em se tratando de musicais. O filme, dirigido por Mark Sandrich, apresenta com leveza e humor o desenrolar de uma trama amorosa que se dá entre um dos casais que mais se destacam no gênero musical, seja pela sensibilidade com que dançam ou pela intimidade que adquiriram ao largo das parcerias que fizeram, Fred Astaire e Ginger Rogers são um dos elementos chave que fazem com que o Picolino seja tão memorável.

Seus personagens, Jerry Travers (Astaire) e Dale Tremont (Rogers), estão hospedados num mesmo hotel, em Londres, e iniciam seu flerte de maneira não muito amigável. Ao passo que Dale fica aborrecida, porém encantada, com Jerry, ele passa a ter olhos apenas para a moça e não resiste em conquistá-la.

Com um roteiro frágil de comédia, ainda que arquitetado e planejado em cima de conflitos que dão agilidade à trama e ao desencadeiam a confusão amorosa que é o grande plote da narrativa: Dale acredita que Jerry Travers é na verdade Horace Hardwick (Edward Everett Horton), marido de sua amiga Madge Hardwick (Helen Broderick).

E se o engano é a chave para toda boa comédia, ‘O Picolino’ não faz por menos. A resolução para esse desarranjo de identidades é amarrado até quase o desfecho do filme e fica a cargo do mordomo Bates (Eric Blore), a personificação nesse enredo do criado bobo e trapalhão da nova comédia grega.

O romance é o elemento que acompanhará todo o ritmo e o desenrolar de toda a intriga presente no filme. À medida que as personagens vão se apaixonando, aumenta também a intensidade e a intimidade com que dançam, a primeira cena em que se detecta o flerte mútuo “Isn’t this a lovely day”, dá a impressão de que o diálogo falado e até mesmo a música se tornam secundários, para em determinado momento serem substituídos apenas pela coreografia, na qual os corpos da dupla Asteire e Rogers desenvolvem no espectador um sentimento de pura contemplação ao amor que transborda a cada passo e sapateado.

Todavia, ao se avaliar a obra como um todo, percebe-se que a coreografia não é a única responsável pelo encantamento. Junto às composições de Irving Berlin adquirem outro significado, se posicionam como um arranjo harmonioso e decisivo para a construção da narrativa, atingindo talvez seu ápice com a composição que, possivelmente, pode ser considerada a mais marcante de todo o musical: “Cheek to cheek”. A música, além de ter sido posteriormente interpretada por Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, foi incorporada a outros filmes de destaque na história do cinema, tais como ‘À espera de um milagre’ e ‘A rosa Púrpura do Cairo’.


Por fim, é possível enquadrar “O Picolino”, na categoria de filmes em que não se toma uma parte pelo todo, onde não se elege como determinante a coreografia, ou o figurino, o cenário ou as canções isoladamente. Todos esses elementos se arquitetam e constroem um musical encantador, que realmente te atrai e te faz torcer para que dê tudo certo no final, porque, como bem diz Jerry Travers, “all is fair in love and war and this is a revolution”.

sábado, 25 de junho de 2011

"Crepúsculo dos Deuses", por Ricardo Duarte



Se Norma Desmond visse Crepúsculo dos Deuses, detestaria, pois ele é recheado de diálogos, e é neles que o filme encontra grande parte de sua força. Delicioso retrato irônico e ácido da indústria cinematográfica, o filme transforma as grandes estrelas do passado em seres patéticos e dignos de pena.

A premissa da história é bastante simples: protagonista reconta seu passado, sendo o diferencial a questão do seu narrador estar morto enquanto narra. O filme tem momentos de humor sutil, não dependente dos diálogos, como podemos perceber na cena em que o diretor DeMilles fala para Norma que as coisas mudaram, a câmera recua, e nós vemos que ele está usando botas de equitação, coisa bastante antiquada. Tudo se encaixa perfeitamente no filme: figurino, locações e atores (fator de destaque, pois eles são todos espetaculares).

Tendo como enredo a recontagem da história do protagonista, a questão das memórias é bastante importante. Porém, ao contrário de filmes como Amarcord (Federico Fellini) ou Eu me Lembro (Edgar Navarro), a memória aqui não é o elemento principal da narrativa, sendo apenas o meio de contar e dar prosseguimento a narrativa, não tendo a verdadeira força caótica e inexplicável das lembranças humanas (característica que os dois filmes citados tentam mostrar), mas apenas apresentado-a como um encadeamento lógico de fatos.

Vem-se até agora falando apenas da memória como forma estrutural do filme, entretanto, tão importante (e talvez mais fecunda) é a memória como elemento presente na própria história. Não apenas a memória, mas, especialmente, a nostalgia.

Temos em Norma Desmond uma personagem extremamente nostálgica, e completamente assombrada pelo fantasma do passado. Tendo suas memórias dos tempos de grandeza como força e maldição, a atriz vive num mundo de recordações e saudades. Na sua busca por seu tempo perdido, isolada em sua mansão, apenas com um mordomo (quer coisa mais anacrônica?) e seus velhos filmes como companhia, aliena-se dos tempos modernos, mantendo-se presa em formas de pensamentos de sua época, desprezando as atuais. Desprezo que fica claro no roteiro escrito por ela, que prioriza as expressões faciais em detrimento dos diálogos (que, para ela, é a ruína do “verdadeiro cinema”). Norma é a própria representação da grande estrela de outrora que, ao ver que seu tempo passou, entra em desespero, culpando o “novo cinema” (“Eu sou grande, os filmes é que ficaram pequenos”) e o desaparecimento da época dos grandes atores (“Eles pegaram os ídolos e os destruíram, os Fairbankses, os Gilberts, os Valentinos! E quem eles têm agora? Uns ninguéns!”). Importante também lembrar a última cena, uma das coisas mais perturbadoras da história do cinema: numa mistura de horror-drama, vemos uma Norma completamente louca achar que está atuando, enquanto, na verdade está sendo presa. O diretor ainda nega-lhe o seu último pedido (um close-up), pois quando ela se aproxima da câmera, perde-se o foco e o filme acaba.

Mas não apenas Norma é louca no universo do filme. Ela apenas externaliza algo que é presente em quase todos os personagens. Billy Wilder deixa transparecer que só há duas possibilidades de futuro para as pessoas que trabalham naquela indústria de fantasias: a loucura ou a total perda de moralidade. A Hollywood demonstrada no filme cumpre um papel determinista no comportamento das pessoas, moldando-as e quase sempre mostrando o que elas têm de pior. A cidade aqui cumpre seu papel na decadência humana.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Crepúsculo dos Deuses", por Renata Santos


Crepúsculo dos deuses é uma produção noir da Paramount filmes, do austríaco Billy Wilder, que acompanha o drama da lendária estrela do cinema mudo, a gloriosa Norma Desmond. O filme pode ser considerado um retrato sarcástico das estrelas de Hollywood modernas, presas a ambições e ilusões efêmeras da fama.

No filme, o roteirista Joe Gillis está em apuros financeiros e prestes a ver seu carro confiscado, ele tem seu argumento rejeitado. No fundo do poço, Joe conhece inusitadamente a mansão de Norma Desmond, onde é confundido com um coveiro. Depois de resolvido o mal entendido e quando Norma, que pretende voltar as telas, descobre que ele faz argumentos para a Paramount, ela o convida a reescrever o seu roteiro. Apesar de não simpatizar com o estilo excêntrico e fantasioso da atriz decadente, ele aceita o trabalho visando solucionar seus problemas com dinheiro. A relaçaõ entre os dois é muito conturbada, porque Joe Gillis não suporta o mundo nostálgico e de fantasia em que Norma vive metida. Norma responde cartas que o próprio mordomo escreve para alimentar suas ilusões e todo o tempo, exibe uma prepotência irrisória que a afasta de todos e tenta, ridiculamente, seduzir Joe, o que o faz odiá-la ainda mais.

Gills começa a trabalhar paralela e clandestinamente com Betty Schaeffer, uma jovem roteirista que, na verdade é a personagem responsável por mostrar o contraste entre a vida reclusa e fantasiosa em companhia de Norma e o prazer da convivência com a juventude e a alegria.

Toda a trama é excepcionalmente bem elaborada e prende quem assiste através de suas cenas aparentemente cotidianas, mas que mostram claramente a prisão e a ilusão do mundo das celebridades hollywoodianas ou não.